CULTURA BRASILEIRA

A contribuição judaica para a formação da cultura brasileira

Lasar Segall - Emigrantes - 1936 - Óleo sobre tela.

A inexistência de movimentos antissemitas ou práticas discriminatórias no Brasil contribuiu para a identificação geral dos judeus como brasileiros de classe média e para a manutenção de muitos vínculos que ainda ligam a comunidade judaica.

Pouco familiarizados com os hábitos brasileiros e, provavelmente, marcados pela exclusão vivida em suas sociedades de origem, os imigrantes judeus recriaram no Brasil a intensa vida cultural e política de que desfrutavam anteriormente:

Fundaram jornais, bibliotecas, escolas, sinagogas, associações femininas de ajuda mútua e de apoio a recém-chegados;

participaram de agremiações político-partidárias socialistas e sionistas onde disputavam as lideranças, como foi o caso da disputa pela liderança da Biblioteca Scholem Aleichem, que mais tarde se tornaria o centro do movimento judaico progressista no Rio de Janeiro;

Preocuparam-se em criar instituições que cumprissem a função de unir e fortalecer a comunidade judaica brasileira.

Por volta de 1950, os judeus já eram parte da classe média brasileira; as comunidades já se voltavam mais para questões nacionais, e seus membros participavam, como quaisquer outros, do processo político por que passava o país. A grande maioria, fincou definitivas raízes no Brasil nessa época.

Familiarizados com a sociedade e os costumes do país, esses judeus brasileiros, assim como já haviam feito os descendentes dos imigrantes sefaradim no início do século, passaram a participar de todas as esferas da vida brasileira. Por conta disso, principalmente a partir da década de 1970, casamentos entre judeus e não-judeus tornaram-se fenômeno comum em todas as grandes cidades brasileiras.

Lasar Segall (Vilnius, 21 de julho de 1891 — São Paulo, 2 de agosto de 1957) foi um pintor, escultor e gravurista judeu brasileiro.

Foto: A/D - Arquivo OpenBrasil.org
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