CULTURA BRASILEIRA

A contribuição dos espanhóis para a formação da cultura brasileira

Modesto Brocos - Engenho de mandioca - 1892. - Óleo sobre tela.

Os primeiros navegadores a reconhecerem parte da costa do futuro Brasil foram os castelhanos Vicente Yañes de Pinzón e Diego de Lepe. Em torno de 1499, costearam o que hoje corresponde ao litoral do Ceará, Piauí, Maranhão, Pará e Amapá, chegando mesmo ao Amazonas.

Durante a União Ibérica, o domínio espanhol sobre Portugal foi muito favorável para o alargamento territorial do Brasil.

Não seria exagero dizer que o perfil da região sulina no período colonial era mais propriamente português-castelhano-indígena do que português, ou português-indígena apenas.

- A presença espanhola no Brasil colonial foi estratégica e importante entre fins do século XVI e meados do XVII.

- Por meio das influências recíprocas entre as culturas lusitana e espanhola, intercâmbio herdado da própria Península Ibérica, a presença espanhola no Brasil foi permanente em todo o período colonial.

A marca espanhola se fez sentir, também, em certos personagens centrais do período colonial, a exemplo de José de Anchieta que, apesar de formado em Coimbra, era natural do Tenerife, nas Canárias espanholas, e tinha no castelhano sua língua materna.

As cidades de Santos, do Rio de Janeiro e de Salvador foram os principais centros de recepção dos "braceros" no Brasil. Em Salvador, porém, o movimento de entrada seria bem peculiar. Os espanhóis que se dirigiram para a capital baiana não participavam dos programas de imigração. Chegavam com emprego garantido, chamados por patrícios e parentes ali estabelecidos, proprietários bem-sucedidos de pequenos estabelecimentos comerciais, bares e hotéis.

A cidade de Santos não só abrigava uma numerosa colônia espanhola, que se espraiava nas cercanias da zona portuária - o que lhe valeu, no início do século XX, o apelido de "Barcelona Brasileira", mas também se tornou um centro de agitação e organização operárias, dominado pelos imigrantes ibéricos.

Os espanhóis também criaram caixas de socorro mútuo que prestavam auxílio médico, financeiro e jurídico aos mais necessitados. Ao que tudo indica, algumas dessas entidades beneficentes deram origem às primeiras organizações de trabalhadores. Os trabalhadores espanhóis lutavam por mudanças profundas na sociedade: rejeitavam a autoridade do Estado enquanto regulador das relações entre indivíduos livres e defendiam a ideia de sindicatos como núcleos básicos da sociedade futura.

Modesto Brocos y Gómez (Santiago de Compostela, 9 de fevereiro de 1852 — Rio de Janeiro, 28 de novembro de 1936) foi um pintor, desenhista e gravador espanhol radicado no Brasil definitivamente a partir de 1890.

Foto: A/D - Arquivo OpenBrasil.org
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